O que esperar do mercado imobiliário em 2023?

O primeiro trimestre é um ótimo momento para relembrar o que foi aprendido no período anterior e projetar tendências para o novo ano. O setor imobiliário não fica de fora dessa regra. O ano de 2022 foi o primeiro a ter um vislumbre de “pós-pandemia”. Portanto, é natural olhar para esse ano como um retrospecto para tentar entender quais são as novas expectativas dos consumidores.

O Conecta Imobi do ano passado, por exemplo, já deu uma ideia de várias dessas questões. As palestras, mesas-redondas e encontros reuniram mais de 6 mil pessoas de diferentes partes do país em busca de respostas para melhorar o desempenho neste acelerado ano de 2023.

Nesse sentido, vale a pena destacar pelo menos duas grandes tendências que devem marcar o futuro do mercado imobiliário. A primeira delas é a incorporação cada vez maior de ferramentas tecnológicas no setor. Esse processo gradual foi intensificado durante a pandemia e, em grande medida, já faz parte do “novo normal” de corretores, proprietários e locatários.

Estou me referindo às reuniões por teleconferência, às visitas virtuais por vídeo e à popularização das assinaturas digitais em contratos imobiliários, uma modalidade que representava apenas cerca de 5% dos negócios fechados antes da pandemia, mas que cresceu de forma exponencial nos últimos dois anos.

No entanto, essa é apenas a ponta do iceberg quando se trata da digitalização do setor. A tecnologia mostra-se realmente promissora quando pensamos na incorporação da análise de dados (Big Data) e da inteligência artificial no mercado imobiliário, associadas aos aplicativos e plataformas digitais de venda e aluguel, que estão se tornando cada vez mais populares.

O conceito-chave aqui é personalização. Essas ferramentas digitais permitem entender muito melhor o perfil, as necessidades e as preferências de cada consumidor. Elas também permitem categorizar imóveis com muito mais precisão, com base em uma ampla variedade de critérios que abrangem todos os aspectos de um empreendimento.

Palestrantes e debatedores do Conecta Imobi concordaram unanimemente que o Brasil ainda tem muito a avançar nessa área, especialmente quando comparado aos Estados Unidos ou à Europa, onde o uso da tecnologia para personalizar negócios já está muito mais disseminado.

Dito isso, pode parecer que esse movimento de digitalização contribuirá para diminuir a importância do elemento humano – ou seja, dos corretores – no mercado imobiliário. Na realidade, é exatamente o oposto. A segunda grande tendência identificada e discutida durante o Conecta Imobi foi justamente a crescente importância do trabalho do corretor, que já mencionei anteriormente.

O setor imobiliário continuará a crescer de maneira sustentável, mas não com a mesma velocidade de 2020 e 2021. Portanto, espera-se um processo natural de depuração desse mercado, onde apenas os profissionais mais qualificados e comprometidos permanecerão ativos.

Mas o que significa ser “mais qualificado” nesse contexto? Novamente, a palavra-chave é personalização: os consumidores

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